sábado, 10 de julho de 2010

O Pioneiro do cooperativismo no Rio Grande do Norte

FONTE - GERALDO MAIA, JORNAL O MOSSOROENSE (17/10/1872), EDIÇÃO DO DIA 11 DE JULHO DE 2010 (DOMINGO) - gemaia@bol.com.br

Em 25 de fevereiro de 1915 era criada a Sociedade "Mossoró Novo", que se constituía em um sindicato rural, que tinha como sede a cidade de Mossoró. De acordo com os estatutos da sociedade, a mesma tinha como fins gerais:

1.O desenvolvimento, estudo e defesa dos interesses da agricultura, pecuária e indústrias conexas, como elementos fundamentais da economia sertaneja;

2.A reorganização da vida econômica do sertão seco, sobre as bases do mutualismo e do cooperativismo, no sentido de máxima resistência, direta e indireta, contra os efeitos da instabilidade climática.

Para alcançar os fins desejados, ainda de acordo com os estatutos, o sindicato tinha como objetivos imediatos: promover a criação metódica e continuada propaganda de instituições mútuas e cooperativistas, de toda ordem, estendendo esse esforço por toda região periodicamente flagelada pela seca; fomentar, por meio dos institutos formados, o ensino primário e elementar agrícola e o técnico em geral, subministrando em círculo de estudos, bibliotecas rurais, cursos, conferências, campos de demonstração e oficinas-escolas; e organizar no sindicato e em todas as instituições anexas, reservas especiais para criação na sede sindical de um hospital e de uma escola ou aprendizado de artes e ofícios, compreendendo estes um curso de agricultura prática.

O Sindicato Rural Sertanejo, como ficou conhecido, teve como seus primeiros dirigentes: Dr. Filipe Nery de Brito Guerra, Presidente; Dr. Silvério Soares de Souza, Secretário; Farmacêutico Tércio Rosado Maia, Gerente; Cel. Manoel Cirilo dos Santos, Tesoureiro; Afonso Freire de Andrade, Arquivista. Tinha ainda no Conselho Administrativo: Dr. Antônio Soares Júnior, Cel. Bento Praxedes Fernandes Pimenta, Cel. João da Escóssia Nogueira. Dr. Manoel Benício de Melo Filho e o Dr. Rafael Fernandes Gurjão.

Esse sindicato foi, na verdade, a semente do movimento cooperativista do Rio Grande do Norte e teve como mentor o farmacêutico Tércio Rosado Maia. Sobre esse assunto, escreveu o historiador Filipe Guerra: "Tércio Rosado Maia quis abrir caminho para o cooperativismo. Fundou uma cooperativa sob a denominação de "Mossoró Novo". Salvo engano, foi essa a primeira vez que se falou, no Estado, em sociedade cooperativa. Foi ele seu propagandista, fundador e gerente. Trabalhou, fez funcionar pequeno estabelecimento, mesmo sofrendo prejuízos materiais".

O jornal "Comércio de Mossoró, em sua edição de 10 de janeiro de 1916, registrava: "Em reunião presidida pelo Cel. Bento Praxedes, realizou-se a Assembleia Geral da "Mossoró Novo", sendo definitivamente instalada essa sociedade. Leu bem confeccionado relatório do período organizacional dessa sociedade, o farmacêutico Tércio Rosado Maia, que falou muito bem e com inteira competência sobre o assunto. O Cel. Bento Praxedes felicitou o farmacêutico Tércio Rosado Maia pela realização de seu ideal e concitou a todos os membros da diretoria para se forrarem de perseverança a fim de vencer o indiferentismo público pelas instituições cooperativistas tão úteis e proveitosas nos meios em que se desenvolvem".

O farmacêutico Tércio Rosado Maia, o pioneiro do cooperativismo do Rio Grande do Norte, nasceu em Mossoró a 19 de agosto de 1892, sendo o terceiro filho do também farmacêutico Jerônimo Rosado e D. Maria Amélia Rosado Maia. Em 1910 formou-se em Farmácia pela Escola de Medicina da Bahia; em 1929 em Odontologia na cidade do Recife; em 1940 formou-se em Direito e cursou ainda até o 4º ano de Medicina, na mesma capital.

Em Mossoró, lecionou na Escola Normal e no Ginásio Diocesano Santa Luzia.

No Recife exerceu o magistério nos seguintes estabelecimentos de ensino: Faculdade de Comércio, Escola Politécnica, Escola Normal Pinto Júnior, Ateneu Pernambucano, Faculdade de Farmácia da Universidade do Recife, Ginásio Pernambucano, Colégio Santa Margarida e Colégio Vera Cruz.

Tércio Rosado Maia faleceu em 8 de setembro de 1960, aos 68 anos. O cônego Francisco de Sales Cavalcanti registrou sobre sua morte: "Desaparecido já da vivência leal dos que souberam admirá-lo, continuou vivo nos seus trabalhos admiráveis porque PASSOU PELA TERRA FAZENDO O BEM !..."

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